Numa altura que até especialistas defendem uma
intervenção urgente da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e
da União Africana para travar a insurreição na província de Cabo Delgado, o
ministro da Defesa Nacional, Jaime Neto, diz que a ajuda não é necessária
porque Moçambique continua forte e com capacidade para derrotar o inimigo.
Aliás, diz que o Governo até nem vai declarar o Estado do Sítio naquela
província porque tem tudo controlado.
Custa-nos imenso perceber o que é isso de ser forte
quando a situação de segurança em Cabo Delgado, a cada dia, está a
deteriorar-se a um ritmo alarmante. Os ataques de extremistas violentos já
ceifaram mais de 1.000 vidas e deslocaram 250.000 pessoas desde outubro de
2017. As infra-estruturas foram destruídas e os cidadãos privados dos seus
meios de subsistência, mas alguém diz que “temos tudo controlado; somos
fortes”.
O que quer dizer ser forte, afinal? Ser forte é deixar
um intruso fazer e desfazer em sua casa até chegar ao cúmulo de pegar os seus
tomates, brincar as mamas da sua esposa, cagar aonde lhe apetecer? Se é isso,
então é preferível ser fraco! E foi quase isto que aconteceu da vez que os
“jihadistas” invadiram Mocímboa da Praia (gostam muito deste distrito). Içaram
a sua bandeira no quartel das Forças de Defesa e Segurança em Quissanga.
Tiraram fotos em casa do administrador que fugiu por medo de ser degolado.
Orientaram comícios populares. Gravaram vídeos. Tudo isto em nossa casa. Sem o
nosso consentimento, mas alguém diz que “somos fortes”.
Fonte


0 Comentários