Uma das filhas de Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique, defendeu hoje a condenação à prisão e expulsão do Estado de instrutores da polícia que supostamente terão engravidado 15 jovens candidatas a agentes da polícia, durante a formação.

“É necessário que estes homens não fiquem impunes nem mereçam qualquer tipo de proteção. Para eles, pena de prisão será a punição acertada. A cadeia é o local onde passam a residir”, escreve Josina Machel, numa carta de opinião que distribuiu hoje em Maputo.

Josina Machel, que perdeu um olho numa briga com o ex-namorado, num caso que está em tribunal, considera que os instrutores abusaram sexualmente das 15 jovens e devem ser expulsos do aparelho do Estado.

“A verdade dos factos prova que homens adultos, com responsabilidade de Estado, instrutores, e mais grave, chefes de famílias, violaram sexualmente de forma sistemática raparigas instruendas”, refere Machel.

A situação a que as 15 jovens foram submetidas, prossegue, é apenas a face visível dos abusos que as raparigas enfrentam nas instituições de ensino em Moçambique.

As instruendas “são a face visível deste escândalo, porque engravidaram, mas, seguramente, haverá as que não fazem parte das estatísticas de gravidezes e que também foram abusadas e humilhadas”, lê-se no texto.

O abuso sexual nas escolas moçambicanas, continua, não é segredo para ninguém, porque já se tornou um comportamento normal e institucionalizado.

“Caso o Ministério do Interior leve a cabo um trabalho de investigação sério, corremos o ´risco` de ficar a saber que a violação sexual de instruendas faz parte de um ritual de introdução de novatas a esta instituição”, considera Josina Machel.