O líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, assegurou que vai continuar a defender as armas na posse do partido, no âmbito do Acordo Geral de Paz (AGP), isto até haver um consenso com o Governo para renegociar um novo acordo de paz.
Mariano Nhongo defendeu esta
posição no domingo, em teleconferência com apoiantes do grupo dissidente da
Renamo, na província de Tete, onde diz manter algumas bases com guerrilheiros
ativos.
“A [autoproclamada] Junta
Militar surgiu para defender a democracia, os membros [da Renamo] e para
conservar as armas, que é a defesa do partido” frisou Mariano Nhongo,
interrompido várias vezes por aplausos da parte de um grupo de apoiantes
reunido num quintal, supostamente de uma residência.
“O Governo disse 'entreguem
as armas', outros nossos irmãos [ex-guerrilheiros] já entregaram as armas.
Estão a brincar com a democracia. A Junta Militar não aceita isso”, defendeu
Mariano Nhongo, que voltou a denunciar o cerco às suas bases, reforçado, diz,
por forças estatais numa altura em que decorre a desmobilização.
O líder dissidente revelou
que a maioria dos ex-guerrilheiros que passaram à disponibilidade, no âmbito do
processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) social, em junho,
nas bases de Savane (Dondo) e Mangomonhe (Chibabava), continua a passar noite
nas matas por temer, indica, nova ameaça de sequestro e assassinato.
“A Junta Militar está a ver
que a democracia continua ameaçada” insistiu Mariano Nhongo, reiterando a
necessidade de o Governo cultivar a tolerância e, confiança para o alcance de
uma paz definitiva.
Renamo diz que não se identifica com a
autoproclamada Junta Militar
Em declarações à VOA, André
Magibire, secretário-geral da Renamo, disse que a actual filiação de Mariano
Nhongo na Renamo e a sua autonomia para guardar armas do partido é alvo de
contestação no seio do partido.
“O estatuto da Renamo não
preconiza uma autoproclamada Junta Militar da Renamo”, respondeu André
Magibire, adiantando que o líder dissidente se afastou do partido por
livre vontade.
“Não estou a dizer que
Mariano Nhongo continua ou não membro da Renamo, estou a dizer que Mariano
Nhongo, por livre e espontânea vontade, criou a Junta Militar, um movimento com
o qual, nós, a Renamo, não nos identificamos”, concluiu Magibire.
A autoproclamada Junta
Militar da Renamo contesta a liderança de Ossufo Momade na Renamo, sendo que
quer renegociar o acordo geral de paz assinado há um ano, para uma reintegração
que diz querer ser “digna” dos ex-guerrilheiros.
Fonte: Sapo


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