Agentes económicos
em Manica, centro de Moçambique, acusam elementos da Autoridade Tributária e
Inspeção Provincial do Trabalho de estarem a fazer cobranças ilícitas aos seus
estabelecimentos comerciais.
Comerciantes da província
central de Manica falam de extorsão e corrupção, afirmam-se indignados e muito
preocupados. A extorsão estaria a afetar de forma negativa as suas receitas e
poder de compra de produtos por forma a manter o negócio num ritmo estável.
Vasco Franco, proprietário de
um dos estabelecimentos comerciais, disse que representantes das autoridades,
quando visitam o seu estabelecimento, pedem todo o género de documentos, como
comprovativos para o início de atividades, alvará, cartão de trabalhadores,
horários de trabalho e outros.
Se o comerciante não puder
apresentar um deste documentos, os agentes pedem-lhe dinheiro. E mesmo que os
documentos estejam todos em ordem, procuram outras falhas para obrigar o
comerciante a pagar alegadas coimas que não são canalizadas para os cofres do
Estado, segundo as vítimas.
"já que você não tem
documentos legalizados então organiza lá um refresco [suborno]. Então acabam
cobrando um valor que variam de 2 a 3 mil meticais [entre 30 a 40 euros]. Eu
gostaria mesmo que o Governo trabalhasse de uma maneira ordeira e estando a
controlar ou haver fiscais que só controla esses que andam a fazer estas
coisas" manifestou o comerciante.
Desconfiança
no seio dos empresários
O presidente do Conselho
Empresarial Provincial (CEP) em Manica, Samuel Guisado, condena a atitude dos
elementos que regulam a atividade económica ou comercial.
"O que notamos com
insatisfação foi que os agentes da autoridade tributária, eles vão nas áreas
comerciais, em lojas, barracas inclusive algumas barracas que nem tem NUIT,
fazem cobranças e depois passam recibo de contribuição do agente e leva o
dinheiro consigo", conta.
E Samuel Guisado está em
dúvida: "O que depois vai fazer com o dinheiro, se de facto deposita no
tesouro ou utiliza ninguém sabe, portanto isso cria uma grande desconfiança no
seio dos empresários porque é um modelo de atuação e nós como CEP não
conhecemos, este modus operandi das alfândegas e autoridade tributária".
Distanciamento
da corrupção, pedem autoridades
O secretário do Estado em
Manica, Edson Macuácua, lançou um apelo aos agentes do Estado para se
distanciarem das práticas de corrupção, e das cobranças ilícitas aos agentes
económicos e cidadãos em geral.
"seremos implacáveis
contra todas situações que serão ou podem ser identificadas na província e que
configurem cobranças ilícitas ou práticas contra a lei", promete.
E apela: "Queremos pedir
a máxima colaboração da sociedade civil numa maneira geral em particular aos
agentes económicos que são os que mais denunciaram a existência deste tipo de
práticas, para uma maior colaboração com as autoridades públicas no sentido de
denunciarem e fazerem chegar em tempos oportunos todas informações ligadas à
prática de extorsão, cobranças ilícitas para que a nossa inspeção,
administração possa agir em tempo oportuno para responsabilizar todos aqueles
que estejam na situação de prevaricadores" condenou o dirigente".


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