O
parlamento aprovou ontem o relatório do Presidente da República sobre os 120
dias de Estado de Emergência, abrindo alas para o Governo avançar com medidas
pós-emergência.
O Governo prevê para breve a introdução de novas
medidas de restrição, por forma a reforçar as acções de combate à pandemia da
COVID-19, que está atualmente em fase de propagação progressiva, sobretudo, na
cidade e província do Maputo.
De acordo com a ministra da Justiça, Assuntos
Constitucionais e Religiosos, Helena Khida, terminada a fase de Estado de
Emergência, cujo relatório foi ontem aprovado pela Assembleia da República, o
país preciosa entrar num “novo normal” que deverá implicar, por um lado, a
coexistência com a doença, e, por outro, abrir a economia
Sem avançar os passos que se seguem, Helena Khida
avançou que a nova fase também deverá trazer restrições aos cidadãos.
“A viabilização das medidas de prevenção e as
restritivas que irão nos assegurar a passagem para uma nova maneira de viver
com a COVID-19 vai exigir o estabelecimento de um suporte legal” disse, sem
avançar com qualquer detalhe.
Parlamento dividido
O relatório dos 120 dias do Estado de Emergência
conclui que “de um modo geral, os objetivos foram cumpridos”.
Contudo, na hora de avaliação, o parlamento mostrou-se
dividido, com a oposição a dar uma nota negativa o que fez com que a resolução
submetida ao plenário pela Comissão Permanente, fosse aprovada, por força dos
votos da bancada maioritária (Frelimo), com um total de 179 votos, contra
apenas 53 que foram no sentido contrário.
A Frelimo considera que o relatório reflecte a
realidade e apesar de ter sido um momento de suspensão de direitos
fundamentais, as medidas foram “equilibradas e proporcionais”.
A Renamo, contrariamente ao que o Governo conclui, o
relatório revela falhanços nos principais aspectos que pretendia salvaguardar,
nomeadamente, o “reforço dos Sistema Nacional de Saúde”.
O MDM, que também alinhou no voto contra a aprovação,
destacou alegada falácia no que diz respeito algumas situações que considerou
omissas no relatório, nomeadamente, detalhes sobre a adjudicação directa feita
a alguns contratos de prestação de serviços ao Estado.
Agostinho Chipindula- Frelimo
“Votamos a favor porque o relatório contêm informações
detalhadas as medidas que foram tomadas durante os 120 dias de Estado de
Emergência que se mostraram imprescindíveis para a salvaguarda e defesa da
saúde e salvaguarda do bem-estar do povo moçambicano. As medidas tomadas
durante o Estado de Emergência respeitaram o princípio da proporcionalidade e
limitaram-se nomeadamente, quanto a extensão e duração, ao estritamente
necessário...”
António Muxanga-Renamo
“O que a comunicação traz não é nenhum detalhe está
muito longe do que o povo esperava. Estamos perante dinheiro público que foi
solicitado em nome do povo que sofre. O povo quer saber do uso desse dinheiro,
moeda, a moeda. O povo quer saber o que se comprou e onde foi usado. Sobretudo,
em que hospitais. O povo quer saber o que é que aconteceu em Lichinga, Beira,
Nampula e Matola, para termos óbitos por causa dos disparos da polícia...”
Elias Impuiri- MDM
Em condições normais, o Chefe do Estado deveria estar
aqui para apresentar a comunicação sobre as medidas tomadas ao abrigo do Estado
de Emergência por si decretado assim como a relação nominal dos cidadãos
atingidos. Não há informação precisa sobre a utilização dos fundos angariados
no âmbito do Estado de Emergência, como fiscalizadores queremos esta
informação. Consta-nos que ao abrigo do Estado de Emergência houve adjudicações
directas, queremos saber quais são estas empresas e o objecto da adjudicação...
Fonte: o pais


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