A consultora Eurasia considerou hoje que a oposição armada ao Governo de Moçambique no centro do país deverá aumentar a curto prazo, mas o líder deste movimento deverá acabar em tribunal, marcando o fim do conflito.
“Os combates no centro de
Moçambique entre as forças de segurança do Governo e a autoproclamada Junta
Militar [da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo)] deverão intensificar-se
a curto prazo devido à oposição persistente ao processo de paz”, lê-se num
comentário da consultora Eurasia aos últimos acontecimentos políticos nos
países da África Austral.
Apesar de, na nota enviada aos
clientes e que a Lusa teve acesso, os analistas anteciparem a continuação dos
combates, afirmam também que “o atual julgamento de seis membros da Junta
Militar em Sofala, acusados de conspiração contra a segurança do Estado, deverá
resultar numa condenação, incentivando outros membros do grupo a deporem as
armas” e acrescentam: “Mariano Nhongo e outros líderes da Junta Militar deverão
acabar em tribunal, o que deverá colocar um ponto final no conflito”.
Para os analistas da Eurasia,
Nhongo começou por elogiar os termos do acordo de paz, salientando a vertente
financeira do processo, mas "parece agora que já não acredita no regresso
dos membros que depuseram as armas, referindo-se aos que participam no processo
como traidores".
A imagem pública deste grupo
"deteriorou-se gradualmente com a violência e a participação no processo
de paz tornou-se mais apelativa", dizem os analistas, concluindo que
"a Junta vai enfraquecer-se ainda mais à medida que as pessoas escolhem
participar no processo de paz".
Logo após a assinatura do
acordo de paz, em agosto do ano passado, a autoproclamada Junta Militar da
Renamo, segundo as autoridades, iniciou ataques armados a alvos civis e das
Forças de Defesa e Segurança (FDS) em alguns distritos e troços de estrada da
região centro do país, incursões que já causaram a morte de, pelo menos, 24
pessoas desde agosto do último ano.
O grupo de dissidentes exige a
demissão do atual presidente da Renamo, Ossufo Momade, acusando-o de ter
desviado as negociações de paz dos ideais do seu antecessor, Afonso Dhlakama,
líder histórico do partido que morreu em maio de 2018.
Oficialmente, a Renamo
demarca-se da ação do grupo dissidente, classificando-o como desertor e
reafirmando o seu compromisso com a paz e a reconciliação de Moçambique.
Os dissidentes, chefiados por
Mariano Nhongo, um antigo dirigente de guerrilha da Renamo, rejeitam o Acordo
de Paz e Reconciliação Nacional, exigem o afastamento do líder do partido e
apenas aceitam discutir as suas reivindicações com o Presidente da República,
Filipe Nyusi.
Fonte: Sapo


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